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Segunda-feira, 24 de Julho de 2006
reflexões
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O brasileiro Rui Barbosa, grande jurista e diplomata, notável escritor, além de extraordinário orador, deixou um escrito que nos faz reflectir
sobre a actual situação da nossa sociedade.
Escreveu ele: "de tanto ver triunfar as nulidades, de tanto ver prosperar a desonra, de tanto ver crescer a injustiça, de tanto ver agigantarem-se os poderes nas mãos dos maus, o homem chega a desanimar da virtude,
a rir-se da honra, a ter vergonha de ser honesto..."
A indignação de Rui Barbosa, ainda que tenha sido há muito tempo, faz sentido e é digna de nossas reflexões.
Pessoas que se deixam levar pela opinião da maioria, facilmente se enredam na desonestidade com a justificativa de que "todo mundo faz".
Esse é um lamentável equívoco, fácil de perceber com algumas reflexões.
Considere que você é um espírito livre e independente, que sobrevive à morte do corpo físico, e que receberá das leis da vida, conforme suas obras.
Considere, ainda, que você chegou ao mundo só,
e só retornará quando chegar a sua hora.
Você, e somente você, responderá por suas acções; ninguém mais.
Mesmo que "todo mundo faça", cada um será responsabilizado, individualmente, diante da própria consciência.
Dessa forma, não permita que essa onda de desonestidade e corrupção, que assola grande parte da população, arraste você também para o lodaçal.
Lembre-se de que diante da sua consciência você estará sempre só, sem testemunha de defesa, a não ser seus actos nobres.
Não vale a pena abrir mão do único património que realmente lhe pertence, que é a honradez, por algum dinheiro ou benefício escuso,
que terá que deixar na aduana do túmulo.
A dignidade é o património mais valioso que alguém pode ter. Não o desperdice com coisas efémeras que pertencem à terra.
E o que é mais interessante é que até as pessoas desonestas preferem contar com pessoas dignas, em quem possam confiar... Estranho paradoxo!
Por mais que se diga que a desonestidade está em alta, temos visto verdadeiros impérios desabando por causa da falta de ética.
Temos visto empresas e instituições de prestígio, bancos sólidos, vindo abaixo por forjar resultados, fraudar documentos, enganar, extorquir...
Empresas que não trabalham com transparência estão perdendo seus investidores, que preferem apostar numa relação de confiança.
Pode-se perceber que no meio económico a confiança ainda é o capital
que mais atrai e multiplica o dinheiro.
Ninguém, em sã consciência, investe em instituições
ou empresas nas quais não confia.
E é importante lembrar que as empresas são dirigidas por pessoas. E são as pessoas que dão confiança ou não aos negócios.
Portanto, é sempre o indivíduo o portador dos valores morais capazes de gerar confiança, a única base capaz de sustentar tanto os negócios quanto as amizades.
Sem dúvida essas reflexões são oportunas e devem nos fazer pensar a respeito.
Afinal, se a desonestidade se tornar regra geral de conduta,
o que será da nossa sociedade?
Portanto, vergonha de ser honesto: jamais!
Pense nisso, e não contribua para turvar o lago da esperança
com os detritos da desonestidade.


marquesarede às 00:59
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