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Segunda-feira, 5 de Março de 2007
ECOLOGIA - REFLEXÕES

Quanto mais voltamos nossa atenção para as grandes dificuldades sociais de nossa época - quando nos detemos e refletimos sobre a grande crise em que vivemos, em todos os âmbitos de acção do ser humano e em todos os lugares -, melhor percebemos as falhas de uma visão de mundo compartilhada por grande parte das pessoas influentes, responsáveis pelo comportamento do homem ocidental ( e que hoje, atinge também o homem oriental ), como empresários,professores, governantes e cientistas, e mais percebemos que estas falhas estão interligadas e não podem ser entendidas de forma isolada, ou linear, como peças autônomas de um relógio mecânico.

     O conjunto de problemas que se abatem sobre as pessoas e a natureza estão profundamente entrelaçados com uma determinada forma de se compreender o mundo, uma percepção da realidade que é redutora, simplista e inadequada e que não leva em consideração processos sistêmicos (interelacionados), psicológicos e orgânicos (ecológicos) presentes nos relacionamentos, no padrão de relação, entre pessoas, entre estas e a sociedade - e entre pessoas, sociedades e natureza -, e muito menos valores humanos e existenciais, formadores de referênciais umbilicalmente ligados à qualidade de vida da população mundial, já que factores ou caracteres que derivam dos fenómenos da natureza, não fazem parte do pensamento linear-racionalista, e muito menos se adequam aos estudos de gráficos analíticos.

     A forma tradicional de se compreender ou de se perceber a realidade - enfim, o
paradigma subjacente a nossa visão de mundo - vem condicionando o comportamento humano ocidental - e todas as suas instituições - por mais de três séculos. Ela é constituída basicamente da idéia de que todo o universo é uma grande máquina, sem vida ou qualquer sentido além do de um sistema mecânico similar ao das máquinas feitas pelo homem, e por isso, dentro do fugaz período de tempo a que se resume uma vida humana, é perfeitamente lícito, dentro desta concepção filosófica, que o indivíduo procure extrair o máximo deste sistema morto, a fim de dar um significado ao que, em última análise  e de acordo com esta visão, não parece igualmente ter significado algum: a existência humana. Daí o conjunto de caracteres típicos de nossa sociedade industrial e capitalista: a visão da vida em sociedade como uma luta competitiva pela existência, a ênfase na sobrevivência mais que na vivência e na melhoria real da qualidade de vida a partir do enriquecimento interpessoal, a crença num progresso material ilimitado num contínuo crescimento econômico explorador de recursos naturais limitados, o patriarcalismo com suas várias facetas e formas de dominação, etc.

      O esgotamento, a anti-naturalidade e a destrutibilidade desta "visão ou concepção de mundo" - que ainda é ardorosamente adoptada pelos  líderes políticos mundiais, Busch's & Cª, empresários, cientístas e instituições - vêm sendo constantemente apontadas de modo claro, por várias pessoas desde cientistas e até mesmo políticos de renome mundial,caso de "Al Gore" e que  de forma mais consciente se têm destacado na crítca ao automatismo e alienação humanas decorrentes da revolução industrial. Todavia a ideologia do capitalismo, detentora dos meios de comunicação de massa, e as instituições econômicas, que sempre utilizaram uma gigantesca máquina de propaganda, acabam por abafar, em parte, este despertar de consciências e a impor uma ideologia propícia a mascarar e a distorcer a percepção dos factos e a perpetuar um conjunto de acções favoráveis aos seus interesses o objetivos gananciosos, ou seja, ela constrói toda uma "realidade" facciosa e alienante, esbatindo o senso crítico das pessoas, a fim de perpetuar a estrutura de poder que lhe é mais aprazível.

      Mas o nível de agressividade deste paradigma e desta ideologia contra o sistema vivo "Terra" vem sendo tão estupidamente trágica, que já não é mais possível fechar os olhos perante a degradação sócio-ambiental que nosso moderno mundo industrial tem promovido, a não ser que o grau de alienação tenha chegado a tal ponto que alienou até mesmo o sentir a dor que as misérias de nossa civilização tecnicista tem causada à natureza e aos homens. De todos os cantos do planeta vemos os efeitos nocivos da forma materialista (filosofia altamente calculada para fazer parte dos hábitos de consumo da população) e pretensamente racional (esquecendo-se da sabedoria orgânica e intuitiva) de ver o mundo, e os efeitos estão aí:

  • o crescimento desordenado da população mundial, especialmente entre os países mais pobres , que é a resultante directa do crescimento das dificuldades sociais que impedem a educação básica que muito auxiliaria no planeamento familiar, aliás problema que aponta para o despudor com que os  políticos teimam em pensar em termos sistêmicos e a longo prazo, e fazem da educação, como um todo, na práctica, uma temática supérflua diante do ideal, basicamente industrial, de que o crescimento e riqueza de uma nação são medidos pelo crescimento linear da economia, que se concentra nas mãos de poucos, e de que um alto PIB é sinônimo de bem-estar social. Ora, sendo assim basta que a educação básica incuta os valores e os hábitos de um mundo industrial.

  • A escassez de recursos, a bizarra e surreal distribuição de riqueza e a degradação do meio ambiente a fim de saciar a ânsia de crescimento econômico da maioria dos empresários, e/ou - por meio da exploração irracional dos recursos humanos e naturais - para o pagamente da dívida externa ou para cobrir o rombo de instituições financeiras incompententes, parasitárias ou corruptas que combinam-se com uma crescente miséria moral e física de um País (como é possível que perante tamanha degradação social a banca portuguesa tenha crescido 23% nos seus lucros gerais?).Ca vamos cantando e rindo nesta alienação política de causar dó, e numa completa falta de senso crítico e valores humanistas que levam ao colápso das comunidades locais e à violência urbana que se tornou uma característica básica de nossos tempos. E toda a máquina da ideologia de consumo e do crescimento de lucros se colocam, de forma drástica, contra tudo e todos que se levantem para questioná-la.

      Existem soluções viáveis para os principais problemas sociais, mas o grande nó da questão está em mudarmos a nossa percepção individualista e egoísta e nossos valores burgueses em prol de um desenvolviemento sustentável, e que atinge em cheio a estrutura do poder e do sistema político-econômico de boa parte dos países, e ainda mais em Portugal, onde todos sabemos das desigualdades de todo o tipo entre os que tudo tem e os que nada tem, a grande maioria, e onde recai a maior parte do peso e da hipocrisia dos sistemas institucionais estabelecidos a princípio, ironicamente, para o bem do povo.

      E, de fato, começamos a ver, cada vez mais amplamente em todo o mundo, principalmente na Europa, uma gradual mas inevitável mudança de paradigma na ciência e na sociedade, a partir das pessoas comuns, de estudantes, da base, e não mais de autoridades ou orgulhosos experts diplomados em fragmentos do conhecimento humano. Mas esta nova compreensão ainda está longe de ser sequer pensada pela maioria dos líderes políticos, e ainda menos pelos empresários.

      O reconhecimento de que é necessária uma profunda e radical mudança de percepção e de metas para garantir a nossa sobrevivência e a das demais espécies vivas que compartilham conosco, em estreita correlação de forças a odisséia terrestre não é feito pelos detentores do poder político e econômico que, aliás, a vêem como uma ameaça à estrutura que os sustenta. Eles sabem que os diferentes problemas estão interrelacionados, mas se recusam a reconhecer e adoptar as chamadas soluções sustentáveis, preferindo fechar os olhos para não ver as consequências de suas actividades para as gerações futuras. A partir de um ponto de vista sistêmico, as únicas soluções viáveis são as soluções "sustentáveis", em que uma sociedade satisfaz suas necessidades sem diminuir as perspectivas das gerações futuras, como é comum observar-se nas chamadas "sociedades primitivas", como as indígenas, sem a carga intrometida da civilização branca. Nossa civilização se orgulha de seu racionalismo, mas o racionalismo é usado para justificar comportamentos profundamentes irracionais e antiecológicos, num mecanismo justificador de racionalização. Julgo ter chegado o momento  de nos lembrarmos de que a humanidade, através da história, sempre se orgulhou do mais coração que da razão? Não é daí que vem o termo " fulano é humamo", e outros semelhantes?

      Existe um movimento de despertar para o facto de que as acções industriais, técnicas e altamente mecanicistas de nossa sociedade materialista está causando um sério abalo na qualidade de vida dos homens e demais seres vivos que constituem a biosfera. E movimentos como os do Green Peace, os dos vários partidos verdes e a ampla aceitação e debates de assuntos ecológicos, parecem ser "sintomas" de uma gradual mas cada vez mais irreversível consciência de que todos nós fazemos parte de uma teia frágil, bela e muito mais profunda do que nos fazem acreditar as nossas estruturas científicas e comerciais... fazemos parte da teia da vida que consitui um enorme organismo vivo e hoje seriamente ameaçado pela ganância e sede de poder de órgãos econômicos, industriais, políticos, científicos e religiosos, todos voltados para o conquistar e a manter o seu poder, quer seja material, quer seja ideológico. Mas há uma movimentação interna visível contra tudo isso, afinal somos células e nervos desta planeta
 vivo, e esta nova percepção sistêmica ou interrelacional entre todas as coisas que nos cercam, é chamada de Ecologia Profunda.



marquesarede às 15:25
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